Oito peças da realeza, avaliadas em mais de R$ 550 milhões, foram levadas em uma operação audaciosa no domingo(19/10). O local permaneceu fechado por três dias para investigações.
O Museu do Louvre, a instituição cultural mais visitada do mundo, retomou suas atividades nesta quarta-feira (22), três dias após ter sido palco de um roubo espetacular. Oito joias de valor inestimável foram subtraídas em um assalto que chocou a França e o mundo.
Apesar da reabertura ao público, o setor visado pelos criminosos – a prestigiada Galeria de Apolo, que abriga itens da antiga realeza francesa – permanece isolado e fechado para o prosseguimento das perícias.
O museu havia suspendido o acesso ao público na segunda-feira (20), o dia seguinte ao assalto. Com o fechamento habitual às terças-feiras, o retorno ao funcionamento ocorreu na manhã de quarta.
Segurança Reforçada e Indignação Governamental
Durante o período de paralisação, o esquema de segurança foi visivelmente reforçado. Agentes de segurança armados e cães farejadores foram mobilizados no perímetro do museu, demonstrando a seriedade da situação. Em resposta imediata ao crime, o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, anunciou na segunda-feira o reforço da segurança em torno de museus e demais instituições culturais do país.
O assalto, de planejamento notavelmente ousado, ocorreu na manhã de domingo (19). Os ladrões invadiram a Galeria de Apolo em uma ação que, segundo estimativas, durou apenas sete minutos. Utilizando um guindaste acoplado a um caminhão, estacionado na fachada que dá para o Rio Sena, os criminosos quebraram uma janela para ter acesso ao interior.
O prejuízo é colossal: as joias da coroa roubadas têm um valor estimado em 88 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 550,2 milhões.
Investigações em Andamento
A polícia francesa confirmou que pelo menos quatro suspeitos participaram da ação e continuam foragidos.
O roubo causou grande transtorno aos visitantes. Na manhã de segunda-feira, muitos turistas que já estavam na fila só foram informados do cancelamento da visitação uma hora após o horário previsto para a abertura do museu. Os Ministérios da Cultura e do Interior realizaram reuniões de emergência e prometeram o reembolso aos visitantes prejudicados.
A reação do governo francês foi de profunda indignação. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, classificou o ocorrido como “deplorável” e admitiu a falha na segurança, lamentando que o incidente “prejudique a imagem” da França.
Dinâmica do Assalto e Peça Recuperada
Detalhes fornecidos pelas autoridades indicam que o roubo aconteceu por volta das 9h30, cerca de 30 minutos após a abertura matinal. Dois dos suspeitos, disfarçados com coletes amarelos, invadiram o Louvre usando o guindaste. No interior da Galeria de Apolo, eles estilhaçaram as vitrines para apoderar-se das peças e, em seguida, fugiram de motocicleta, aguardados por seus cúmplices.
Inicialmente, o Ministério Público da França reportou que nove peças haviam sido levadas. Contudo, uma delas – a coroa da Imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, adornada com 1.354 diamantes e 56 esmeraldas – foi recuperada, embora danificada, em uma rua nas proximidades do museu.
As investigações prosseguem sem prisões ou identificações até o momento. A análise das imagens de câmeras de segurança e o interrogatório de funcionários são cruciais para a identificação dos ladrões. As autoridades também buscam determinar se houve a participação de algum funcionário do museu para facilitar a invasão.
A promotora de Paris, Laure Beccuau, assegurou que todas as hipóteses estão sendo consideradas. Uma das linhas de investigação é a de que o roubo possa ter sido encomendado por um colecionador. Outra possibilidade, a do envolvimento do crime organizado, também não é descartada, levantando a suspeita de que as joias seriam usadas em transações de lavagem de dinheiro.
